O monitoramento das metas e as ações para atingi-las dependem cada vez mais de indicadores desagregados e detalhados por grupos de população e condição de vulnerabilidade (idade, renda, gênero, raça/cor), a fim de reconhecer a desigualdade tal como ela se apresenta.

Outro desafio é fomentar políticas públicas nos estados e nos municípios. O processo de municipalização dos ODM foi muito tímido e começou tardiamente. Apenas em 2007 as primeiras iniciativas ganharam destaque em Nova Iguaçu (RJ) e Belo Horizonte (MG), por meio de um projeto do o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU/Habitat).

Mesmo assim, poucos foram os municípios que os utilizaram como referência para os instrumentos de planejamento. A maioria das experiências resumiu-se a iniciativas pontuais em políticas específicas. É preciso avançar e, para isso, o envolvimento de estados e municípios é condição fundamental.

Da mesma forma, será necessário rever o papel da sociedade civil. Sem organizações, coletivos e movimentos atuantes no acompanhamento das metas, na proposição de soluções e alternativas, agindo em coordenação com as instâncias de participação e controle social (conselhos, Poder Legislativo, Ministério Público) para cobrar e propor políticas públicas também diminuem as chances de sucesso da nova agenda.

Por outro lado, o setor privado precisa ir além dos projetos isolados, baseados no simples alinhamento com os ODM, e passar a desenvolver modelos de negócio sustentáveis na agricultura, na indústria e nos serviços. Também é preciso fortalecer os laços com a sociedade civil e os governos, trabalhando conjuntamente na busca por soluções em políticas públicas que promovam o desenvolvimento sustentável.