A participação da sociedade civil, inclusive nos processos de construção de indicadores nacionais e, posteriormente, na produção de dados (especialmente qualitativos), será uma grande contribuição para mensurar o processo de cumprimento das metas. Por exemplo, apesar de nacionalmente o Brasil ter cumprido diversos ODMs antes do prazo que expirava no ano de 2015, diversas OSCs brasileiras apontam que ainda há temas e localidades que estão muito longe de atingir os objetivos. Essa afirmação não seria possível sem o controle social das OSCs em seus espaços de ação.

Outro importante aspecto da atuação das OSCs é sua capacidade ímpar de mobilizar pautas e pessoas e, dessa forma, influir na definição das prioridades do Estado. Espera-se que a implementação dos ODS seja mais um espaço para a sociedade civil brasileira promover mudanças na abordagem das políticas formuladas e aplicadas para cada região.

A participação da sociedade civil na ONU foi possível por meio de sistemas estabelecidos – especialmente nos Grupos Principais (Major Groups), que representam nove setores: Mulheres, Crianças e Jovens, Povos Originais, ONGs, Trabalhadores e Sindicatos, Autoridades Locais, Negócios e Indústria, Comunidade Científica e Técnica, Camponeses e Grupos Rurais. Desde a conferência Rio 92, os Major Groups são vistos no âmbito da ONU como um espaço em que atores sociais, econômicos e não governamentais têm a possiblidade de participar das discussões sobre desenvolvimento sustentável. Esses grupos foram definidos após a “Cúpula da Terra” em 1992 e ganharam relevância nos últimos anos com o processo de negociação dos ODS.