Questão geracional: a inclusão da população idosa

Nas últimas décadas, o Brasil apresentou um gradual envelhecimento de sua população. Trata-se de um processo natural, no qual leva-se em conta a melhoria da qualidade de vida e, também, a queda na taxa de natalidade. Para se ter...

Nas últimas décadas, o Brasil apresentou um gradual envelhecimento de sua população. Trata-se de um processo natural, no qual leva-se em conta a melhoria da qualidade de vida e, também, a queda na taxa de natalidade.

Para se ter uma ideia, em 2019 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou 32,9 milhões de pessoas com 60 anos ou mais vivendo no país. Foi um aumento de 29,5% em menos de uma década. E a previsão é a de que, até 2060, esse número chegue a 58,2 milhões de pessoas.

Esses dados chamam a atenção para muitas questões que envolvem as oportunidades para pessoas da terceira idade. Em tempos de pandemia, este artigo aborda os temas da saúde (ODS 3) e emprego (ODS 8).

De acordo com a dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua COVID-19 (PNAD), o desemprego aumentou consideravelmente desde o início da pandemia. E a situação das pessoas com 60 anos ou mais, no mercado de trabalho, já era difícil no período pré-pandemia.

Segundo Mórris Litvak, CEO da consultoria Maturi, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, “o preconceito com os mais velhos acabou se intensificando na pandemia. É algo que já existia bem forte no mercado de trabalho, e agora tem essa ‘desculpa’ de as pessoas serem teoricamente grupo de risco – e eu digo teoricamente porque não é todo mundo que tem 50, 60 anos que é grupo de risco. Muito mais que a idade, depende da condição de saúde”.

Mas além disso, outras causas para a exclusão dessas pessoas refletem em problemas estruturais já conhecidos no Brasil, como a falta de qualificação profissional e o próprio preconceito etário presente no setor privado.

Essa exclusão do mercado de trabalho gera, também, dificuldade no acesso à saúde. A terceira idade, estatisticamente, é a população que mais necessita de cuidados médicos. No entanto, sem oportunidades de trabalho, muitas vezes não é possível um plano de assistência médica privada. No caso do Brasil, existe o Sistema Único de Saúde (SUS), mas não podemos esquecer da imensidão territorial do país e sobre como não é possível comparar as estruturas de diferentes localidades.

Encontra-se, então, uma situação de exclusão à direitos fundamentais do cidadão, principalmente no que envolve emprego digno e saúde.

E por isso é importante trabalhar com as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Dessa forma, é possível trabalhar por uma sociedade focada em reduzir as desigualdades sociais tão presentes no cotidiano.

Por isso, a Estratégia ODS, coalizão formada por diferentes organizações do país, produz conteúdos para auxiliar organizações da sociedade civil, empresas, governos municipais e a academia a adaptarem suas ações aos ODS. Conheça mais e faça parte dessa coalizão que trabalha para facilitar a implantação e disseminação dos ODS no Brasil!